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IMPACIÊNCIA

Voltaste-te, agora, vagalume de Lilith
Sobre o negrume das minhas ideias















Voltaste-te, agora, vagalume de Lilith
Sobre o negrume das minhas ideias

Acocoramos-nos ao luar, um dia,
Ouvindo a rumba fria da chuva
Como uma prece dos deuses pedindo consolo


Votaste trazendo a febril brevidade de um lampejo de nuvens
 Não diga saudades
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SUSPENSE


















(Para Lisandra)

Tenho os olhos covados
Como o fundo das naus sem tesouros

Mora-lhes o silencio de águas turvas infiltradas
De um passado que pesa ate os dedos da alma

Impacientemente abafo o mofo dos cigarros
E andarilho a cegas em meu pensamento

Ao de longe veem os risos das moças das docas
Como uma canção de silencio

- Aqui banha o calor estéril
De um não-sei-o-que-pensar



6.6.13-4.8
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CAIS





















Sentado no cais
Sou a poesia de um prado
Debicando ao silencio
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DECLARAÇÃO




















Pode duvidar dos sonhos
E do calor das estrelas
Mas não duvide do meu amor.
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ANUNCIO




















Odeio-te com um ódio político
Quando à varanda da lua
Com o rosto azul das rosas entre as mãos
Adventas a saudade de quando chegará o sol.
sexta-feira 0 comentários

ADEUS AS MORNAS


















Aviei as malas e dei um abraço:
As searas e sereias
Ondas lanchas e espumas
Paisagens difusas num espectro de sonho

Dei um beijo a tudo o que amo:
Hortênsias jacintos e corais
Lábios mãos e olhos

Reli as cartas salgadas de um eterno acidente
Ainda que meio amansadas e tingidas de fel
E ums tragos de aguardente para afugentar a futura lembrança
E supor que amanhã estarei aqui

Soprei no pó dos livros a velha sabedoria das estantes e parti
Parti a outras searas
Noites cansansassos e sóis ávidos
E  aos turbilhões de um leque apocalíptico

Levo nos porões hortênsias jacintos e corais
Lábios mãos e olhos
Páginas amansadas descoloridas de fel
Coisas desejos e sentimentos

Aviei as malas e dei um longo suspiro
Ao canto do saraus dos meninos dos bairros de palha
Aos cães e estranhos
Aos palmares e mornas
A noite e ao susto bruxo dos pios distantes

Volto quem sabe um sábado qualquer
Sobre este mar prateado e requinte
E abrace e beije tudo o que amo:
Hortênsias jacintos e corais
Lábios mãos e olhos
Coisas desejos e sentimentos

Por isso deixei a luz fluindo sobre o abajour
Volto quem sabe um sábado qualquer


24 de Julho de 2011, 23:18 

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POEMA DA PENITÊNCIA





















Para Victória

Queria apenas calar.
Calar as minhas rectrizes para não vaguear na tua lembrança
Ouvir a chuva aos espasmo e supor que a vida é uma canção atribulada,
Assim atribulada como o meu amor a olhar o teu latente,
Mas me lembrei de ti, do teu olhar fingido a olhar o meu,
Esqueça os dias dos espasmos, dos instantes perdidos,
Pois estou aqui, espectro erguido, esperando o teu.
Aquela tua melodia de sorrir as graças e instantes...
Nos dias que ti vi e celebrámos a mesma canção.
Bem te lembras desses instantes ja frouxos no tempo;
Dos beijos, das conversas, do compasso contiguo a ti,
Do teu abraço sobre o meu, em fusão,
Sei que te lembras...
Mesmo que seja no flash de uma memória transitória,
Vais saber que te amei, que te quis assim
Ao desaviso da invasão do seu olhar único.
Sei que tivemos história, por mais que ridícula e frouxa,
Da que imaginar a tonalidade do teu adeus na essência das coisas,
No rumo das tuas escolhas... mas
Já não quero me engasgar do tempo que rumou,
Quero olhar para ti,
Pensar em ti com amor e dormir sorrindo,
Porque tenho certeza que ao menos sabes que estou te amando,
Por mais que tenha tudo que provar de novo.
 
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