sexta-feira

ADEUS AS MORNAS


















Aviei as malas e dei um abraço:
As searas e sereias
Ondas lanchas e espumas
Paisagens difusas num espectro de sonho

Dei um beijo a tudo o que amo:
Hortênsias jacintos e corais
Lábios mãos e olhos

Reli as cartas salgadas de um eterno acidente
Ainda que meio amansadas e tingidas de fel
E ums tragos de aguardente para afugentar a futura lembrança
E supor que amanhã estarei aqui

Soprei no pó dos livros a velha sabedoria das estantes e parti
Parti a outras searas
Noites cansansassos e sóis ávidos
E  aos turbilhões de um leque apocalíptico

Levo nos porões hortênsias jacintos e corais
Lábios mãos e olhos
Páginas amansadas descoloridas de fel
Coisas desejos e sentimentos

Aviei as malas e dei um longo suspiro
Ao canto do saraus dos meninos dos bairros de palha
Aos cães e estranhos
Aos palmares e mornas
A noite e ao susto bruxo dos pios distantes

Volto quem sabe um sábado qualquer
Sobre este mar prateado e requinte
E abrace e beije tudo o que amo:
Hortênsias jacintos e corais
Lábios mãos e olhos
Coisas desejos e sentimentos

Por isso deixei a luz fluindo sobre o abajour
Volto quem sabe um sábado qualquer


24 de Julho de 2011, 23:18 

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